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segunda-feira, 6 de abril de 2009

LIVRO: SENSUAL - de Ana Beatriz


Continua A PROPOSTA DE LUDWIG (episódio 2)


No dia seguinte mandei um e meus alunos como espião e ele informou que lá estava o alvo, como chamou. Dispensei os alunos dez minutos mais cedo. Plano feito. Saí pela entrada lateral do Colégio, atravessei a rua. Dobrei a esquina e lá estava o carro, porta aberta, sem ninguém, em frente a uma birosca.

Gente há que acredita em sorte. Minha mãe acredita, duas de minhas amigas também. Eu acredito em intuição. Desde o começo intuí que eu não estava ameaçada. Pelo contrário, se alguém ameaçava, era eu. Mineiros são loucos por branquinha, cachaça. Numa birosca em Juiz de Fora, então, conversa de pinga é inevitável. E o dono era daqueles chatos, estendia o litro como se ele tivesse inventado a cachaça. Insistia e insistia na venda. O pretenso comprador não queria comprar. Dizia não obrigado seguidas vezes com um português atolado, arrastado como pé em lamaçal. E a cada recusa vinham mais elogios à pinga. Para se livrar do chato deu a volta, quis sair e deparou de cara comigo e minha vida nunca mais foi a mesma.

Era um palmo mais alto que eu. Os olhos azuis e a cabeça comprida me bateram na hora: estrangeiro. De jeans e camisa branca, que nele curiosamente tinham a elegância de um smocking. Olhar de menino flagrado roubando doce. Durante um par de segundos ficamos olhando um na cara do outro. Ofereceu-me a mão com a naturalidade de quem se apresenta à Rainha da Inglaterra, e disse: Ludwig! Comecei a rir. Minha intuição de novo.

- Na Faculdade, no colégio, no voluntariado. Está me seguindo?

- Sim – disse ele afagando uma coceira imaginária na nuca. Não conseguia me sustentar o olhar. Sua vergonha me deixava à vontade.

- Por quê?

- Que tal, que tal se disser que acho você bonita?

- Boa resposta. (Apelando para minha vaidade! Devia se envergonhar!) Vai comprar a branquinha do homem?

Duas notas de baixo valor trocaram de mãos e Ludwig saiu de lá comigo e o litro nas mãos, que jogou num coletor de lixo dois passos depois. Trocamos oficialmente de nome e telefone. Recusei a oferta de carona. Notei que agradei ao recusar, gostou da minha cautela.


(continua na próxima semana)


Este é o primeiro capítulo. Dê à sua gata quinze capítulos no próprio livro. Ela vai querer fazer o que o livro ensina e muito mais!
http://sensual.livrossensuais.com/onde.html
http://sensual.livrossensuais.com/index2.html

Beijos, Bia

segunda-feira, 30 de março de 2009

LIVRO: SENSUAL - Segredos de uma mulher casada



Semanalmente apresentarei aqui um trecho do livro que minha esposa fez em edição limitada, só para casais especiais: SENSUAL - SEGREDOS DE UMA MULHER CASADA




Este é o primeiro capítulo. Mostra como nos conhecemos. Siga a novelinha! Este capítulo se chama






A PROPOSTA DE LUDWIG (parte1)




Nunca pensei em ser dondoca.

Sempre vi o trabalho como algo natural. Filha de contador, filha de professora, o ciclo formatura / carteira de trabalho / vestido de noiva / aniversário de filho era para mim natural como respirar. Meus irmãos escolheram megabytes ou índices de liquidez corrente. Eu escolhi Machado e Graciliano. E pensei desse jeito até um mês de dezembro. Então começou minha aventura, que você vive a partir de agora.

Faltavam vinte e dois dias para minha formatura quando saí pelo portão principal da UFJF. Estava atrapalhada por dois Dom Casmurro, edição velha, exemplares grossos, que tinha acabado de emprestar na Biblioteca do Instituto de Humanas. E mais três Os Bruzundangas, e mais um Bom Crioulo. O Colégio C... estava com um programa de ensino de literatura, em pequenos grupos, e eu estava entusiasmada com meu estágio lá. Os livros eram para o grupo que coordenava. Era esse Colégio que me prometera meu primeiro emprego, a ser assinado exatamente vinte e três dias depois.

Carregada de realismo e naturalismo mal percebi o carro andando fazendo concorrência a tartaruga. Ele me seguiu desde a esquina da Pedro Gerheim até umas duas ruas depois. Na verdade não lhe dei importância.

E nem o teria percebido no dia seguinte se um dos meus alunos não tivessem chamado a atenção. Meninos de dezesseis anos podem ser apaixonados por Machado, mas não deixam de sê-lo por automóveis. Estávamos na frente do Colégio discutindo se Capitu traiu ou não e um dos meus alunos apontou o Mercedes cor de prata estacionado a quinze passos. O setor masculino olhou para ele como uma manifestação do Olimpo enquanto as meninas torciam o nariz. A mim o motorista pareceu encabulado. Arrancou devagar, fez a manobra evitando passar em frente à gente. Vidros levantados.

Depois, na direção da entrada do bairro pobre não qual dava aulas como voluntária para vestibulandos. Passei por ele. Não se moveu.




(continua na próxima semana)